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TAMY [CANDOMBE/MPB - BRASIL]

Radicada no Uruguai há cinco anos, a cantora e compositora capixaba TAMY é especialista em relativizar fronteiras. Sua discografia conta com outros três álbuns que renderam música em novela e a abertura para países como França, Inglaterra, Portugal, Japão, Angola, África do Sul e Moçambique, além de colaborações com Kassin, Roberto Menescal, Jacques Morelenbaum, Lokua Kanza e Donatinho.

Todos os seus trabalhos anteriores revelam uma brasilidade docemente indisciplinada, marcante no jeito de cantar e nos vínculos traçados entre o samba, a bossa nova, a musicalidade baiana, grooves afro-latinos e beats eletrônicos. Dialogando com estas características, Parador Neptunia lança mão de elementos inovadores influenciados pelo candombe (ritmo de origem africana desenvolvido em Montevidéu) para expor em canções as estradas que a artista está abrindo em sua carreira e nesse pequeno – mas culturalmente vasto – país da América do Sul. Uma guinada corajosa que confere sabor de estreia ao disco.

Neptunia, balneário secreto da costa uruguaia, com seu ‘parador’ capitaneado pelo maestro Ney Peraza (autor dos belíssimos arranjos vocais do álbum), inspiraram o caminho criativo percorrido por TAMY. A atmosfera mística e sensual do lugar serve como alegoria para a descoberta de um ambiente ao mesmo tempo estranho e encantador que o primeiro contato com a música uruguaia pode representar para os amantes da música brasileira. Estranho apesar da proximidade, encantador principalmente por causa das diferenças – que terminam por evidenciar a essência e os mistérios comuns às duas tradições.

Pois, embora tenham seguido caminhos distintos, as músicas dos dois países sempre tiveram na matriz africana, na latinidade difusa, na riqueza harmônica e no potencial melódico do português e do espanhol algumas de suas bases. No final, tanto o ato de desbravar Neptunia quanto a (re)construção das canções brasileiras e uruguaias presentes no disco resultam no mesmo: uma obra que amplia os pontos de contato entre dois universos, encurtando suas fronteiras. Para alcançar este objetivo sonoro, TAMY contou com a refinada produção de Rodolfo Simor (SILVA, Solana) e a mixagem do consagrado Mário Caldato Jr. (Marisa Monte, Vanessa da Mata e Marcelo D2).

O repertório, versátil e bem orientado, se desenvolveu durante o TAMY INVITA, projeto iniciado em 2012 no qual a cantora convida artistas de ambos os países a compartilhar o palco com ela em Montevidéu. As inéditas “Pra Ti Vê”, “Sabiá” e “Amor de Filha” são da safra da própria TAMY, que há tempos vem se revelando uma profícua compositora de canções sofisticadas. As parcerias com expoentes da música brasileira como César Lacerda (“Neptunia”, com participação do artista mineiro) e Francisco Vervloet (“Festa de Iabá”, com violão e arranjo de Luiz Brasil, e “Neptunia”) testemunham a abertura de referências experimentadas no cenário nacional. Abertura que, aliás, não se limita ao Brasil. TAMY assina “Estrellas” com Hugo Fattoruso, músico uruguaio que é considerado um dois maiores pianistas modernos do planeta, cujo histórico de colaboração com artistas brasileiros inclui nomes como Milton Nascimento, Geraldo Azevedo, Airto Moreira, Hermeto Pascoal, Chico Buarque, Djavan, Luiz Melodia e Naná Vasconcelos, e que também participa da faixa com seu piano e vocalise. As outras canções do disco são releituras de obras dos autores Matheus Von Krüger, Ernesto Díaz, Sebastián Jantos, Fernando Cabrera e Ruben Rada.

As canções de Ernesto Díaz e Sebastían Jantos são descobertas de TAMY, pois trata-se de compositores pouco conhecidos até mesmo no Uruguai. Já Fernando Cabrera é um dos grandes compositores do “paisito”, influência fundamental para Jorge Drexler, Franny Glass e a turma do Bajofondo. Merecem ainda destaque especial as faixas “Te Parece” e “Ayer Te Vi”, ambas composições do mestre do candombe Ruben Rada, que canta com TAMY esta última, um clássico do cancioneiro afro-uruguaio.

Canções inteligentes com uma sonoridade intensa e cosmopolita fazem de Parador Neptunia um disco finalmente capaz de contemplar tanto os amantes da melhor música brasileira como a parcela do público ansiosa por experimentar novos e surpreendentes resultados das aproximações entre a nossa música e os sons vindos de outros cantos da América Latina.

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