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ANA TIJOUX [Hip Hop-Chile]

Ana Tijoux é a primeira dama do rap latino americano. Sem duvida a chilena é a mulher MC que mais êxito teve até agora fora de seu país e sua carreira em particular nos últimos anos. Uma artista que conseguiu fusionar as raízes latinas com um som alternativo em espanhol que sabe soar original, em uma mistura  que vai do jazz à fusão, com letras sempre poéticas, com as que a grande maioria das pessoas podem se sentir identificadas, sempre com uma mensagem de consciência social urgente e necessária.
Isto é o que poderão encontrar em “Vengo”, seu quarto disco solista e placa que estreou este ano através da Nacional Records, um disco que manterá a chilena de turnê no México e Estados Unidos pela maior parte dos próximos meses, com apresentações em South By South West e o Vive Latino, como as cartas mais fortes.
Graças a que sua música do 2009, “1977″, homônima do disco, foi incluída na Trilha sonora da serie Breaking Bad (USA), Ana Tijoux conseguiu chegar a um público muito maior.

Até esse momento, Anita levava uma carreira longa, com três discos junto ao grupo Makiza. Mas a partir de ”1977”, tudo mudou: uma perola deste disco, a música “La rola”, foi uma das favoritas de Thom Yorke.

Em 2010 e é uma música que se mantém como clássico contemporâneo do rap feito em espanhol, levando sua carreira em constante crescimento.

Proba disso, além das múltiplas nomeações ao Grammy Latino, é a sólida qualidade que teve seu seguinte disco, “La Bala”, de 2011, um exercício em colaboração com alguns artistas de renome no mercado latino e onde a proposta musical da chilena terminou por tomar a força e sentido que agora mostra no seu último disco.

“Vengo” é uma especie de mistura perfeita entre “1977” e “La Bala” e em muitos sentidos existe uma grande continuidade entre os três. Talvez “Vengo” possa se  entender como um “1977” em pleno estado de maturidade, com um equilibrado jogo de colaborações que fazem que a Anita brilhe ao longo das 17 músicas que vão do funk latino em “Los Peces Gordos No Pueden Volar” a balada reggae em “Todo Lo Sólido Se Desvanece en el Aire”, assim como o interludio de “Los Diablitos” a alguns cortes similares em sua estética como “Vengo”, “Somos Sur” ou “Río Abajo”, onde a chilena faz seu sempre bem ponderado uso poético do rap.

Ana é uma das artistas mais respeitadas atualmente. Nessa medida, “Vengo” é seu disco mais ambicioso, com uma proposta baseada exclusivamente em sua visão musical e como letrista. Ela mantém sempre um alto sentido de responsabilidade e não compromete sua imagem nem seu discurso em nenhum momento, pelo contrario: é uma artista que compreende seu papel como comunicadora, sem perder de vista o compromisso social.

Este disco será sem duvida de agrado de uma grande quantidade de pessoas que não necessariamente tem uma relação próxima do rap feito em espanhol e para todos aqueles que busquem na música um modo de expressão social válido e legítimo para nossa sociedade civil.

“Vengo” é um disco homogêneo, com músicas construidas ao redor de ideias sonoras afines, e com os flows que a artista costuma nos deleitar, textos que são do gosto de qualquer que desfrute os jogos de palavras e uma MC em pleno uso das suas faculdades rapeiras.

Ela vem, com “Vengo” abaixo do braço.

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